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                                              Utopia  

 

 

                   Fabrício caminha, passos cansados, cabeça baixa, pensando na Escola em que estuda. Como gostaria de estar em uma escola diferente. Ter dinheiro e poder pagar uma particular!

                   Sua escola, onde passa a maior parte do seu tempo, está totalmente destruída, não tem material, os professores estão desmotivados, totalmente sem apoio. As salas-ambiente... Salas-ambiente!...

                   Os alunos só estão sentados juntos fazendo trabalhos, nada mais. Nem, ao menos, têm material de pesquisa suficiente para trabalhar. Sem contar o medo de apanhar dos colegas, medo das drogas... E o pior, sem opção. É ali mesmo que eles têm que ficar, tentar estudar, entender alguma coisa, praticamente sem apoio de tudo e de todos e, ainda, sonhar com um futuro brilhante.

                   Fabrício imagina se existiria Escolas Técnicas, onde pudesse desenvolver seus potenciais. Poderia seguir uma carreira e no final do seu estudo estaria empregado em alguma firma. Por que fazem tantas reformas no ensino que não levam a nada? Deveriam implantar mais Escolas Técnicas.

                   E, desesperado, optou pelo sonho. É preciso fugir dessa realidade e ir para um mundo de desafios, onde parece que ninguém e nada conseguem entrar. Será esse mundo irreal, ou quem sabe, real e existente?

                   Sonhando, caminha a passos calmos. Uma brisa leve bate em seu rosto, acariciando-o. Está descalço. Sente a relva molhada e macia roçando os seus pés. Os primeiros raios de sol batem de leve no gramado fazendo o orvalho brilhar. Pára, olha ao redor e vê árvores cheias de flores coloridas. Chega a primavera. O seu colorido faz contraste com o azul do céu. Os animais correm felizes pelos campos e os passarinhos cantam hinos de louvor a sua chegada... Jamais se viu natureza tão maravilhosa! Continua a caminhar, avista uma escola muito linda, toda branca, com janelas e portas azuis e uma enorme escadaria de mármore, dando-lhe imponência; na frente um jardim só de rosas... O silêncio, a paz é contagiante. Uma alegria apodera-se dele. Começa a correr, e, agora, são flores que acariciam os seus pés. Finalmente chega à escola. Entra e pára admirado: a limpeza, a ordem, a beleza, as classes todas preparadas para receberem os alunos, todas com computadores, televisão, mini-biblioteca, as carteiras brancas, grandes.Continua andando e descobre no segundo andar várias salas:- laboratórios, sala de vídeo, anfiteatro, biblioteca, ambulatório, dentista, psicólogo, atelier, sala de música. Extasiado, desce a escada e se dirige para o pátio onde pequenos bancos brancos, no meio de colunas e trepadeiras, dão um ar de magia. Da cozinha vem um cheiro tão gostoso que dá água na boca... Enfim, ele nunca vira escola igual.

                   Fica sentado, durante algum tempo, a observar a beleza a sua volta e ouve vozes de alunos chegando, todos felizes, satisfeitos e uniformizados.

                   Com lágrimas nos olhos, saí do seu lindo sonho e volta à realidade. Entra na sua escola e sente um aperto no coração ao se deparar com alunos gritando no pátio porque o professor faltou. Greve!... Direção, professor e mães estão discutindo por pontos de vista diferentes. Na sala dos professores, uma geladeira vazia, só água, mas com um pingüim em cima: é a hierarquia. Então, Fabrício entra na sua sala: carteiras velhas, quebradas, sem cortinas, vidros quebrados, sem luz ambiente, alunos que não querem saber de nada, dando risada e falando super alto. O professor, gritando, gritando, para que eles se controlem. Fabrício senta no seu canto e pensa: “vou lutar, vou sobreviver a tudo isso e um dia serei alguém!” E desligando-se daquela bagunça, começa suas tarefas. O tempo passa... Com afinco e dedicação, apesar de todos os obstáculos, ele vislumbra o seu futuro: num amanhecer maravilhoso, quando os primeiros raios de sol já começam a aquecer a natureza, torna-se um professor, chega a uma universidade pára seu carro, desce sorrindo e diz: “- Eu venci, eu consegui... Valeu a pena sonhar!”

 

 

 

 

Pensamentos: “O verdadeiro sábio é aquele que sabe conversar e compreender do mais humilde até o mais nobre ser” (Sonia)

                       “A hierarquia só existe quando se tem: respeito e dignidade para com o próximo” (Sonia)

 

Publicado no Jornal Imparcial em 09/06/2000

 

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