Esta é uma rede social de escritores,artistas plásticos  e músicos, para associar-se a Literarte - Associação Internacional de escritores e artistas, entrem no site www.grupoliterarte.com.br e conheça todas as vantagens em ser um associado!

 

 

PRÓLOGO

 

O bimotor estava perigosamente desestabilizado. Para Ventura a causa poderia ser o arrasto aerodinâmico provocado pelo motor e hélice ou então palhetas inoperantes. Ventura era um piloto tarimbado, durante anos havia pilotado monomotores nas operações garimpeiras nas regiões norte, nordeste e no centro oeste brasileiro, fazendo parte do grupo de pilotos apelidados de Kamikazes garimpeiros. Mas como piloto de um bimotor, uma aeronave mais complexa, com um sistema de operação mais complicado, o mesmo era um principiante, e a extrema dificuldade para embandeirar a hélice e fazer os ajustes de leme necessários para reverter à assimetria gerada naquela situação de emergência era decorrente desta falta de experiência.

 Além do piloto e copiloto estavam abordo o proprietário da aeronave, o milionário Procópio Corte Real, e dois dos seus seguranças.

-Eu não estou conseguindo embandeirar a hélice e fazer os ajustes de leme – grita o piloto.

-Continue tentando – manda um dos seguranças.

Mesmo diante do iminente acidente Procópio continuava demonstrando uma frieza inabalável. A velha águia prosseguia mentalmente sustentando-se no ar, com as asas bem abertas, sem movimento aparente, planando a grandes alturas, orgulhosa e confiante. Com sua visão aguçada correra os picos dos montes que circundavam o povoado São Valentim da Gruta. De fato cada um de seus olhos parecia ter dois pontos de focagem, fixados nos minúsculos pedacinhos de cascalhos extraídos da rocha pelos garimpeiros, e que haviam se transformado em grandes manchas cinzenta no meio das plantações esverdeadas. Via-os com a mesma precisão que uma águia consegue ver uma presa a centenas de metros de altitude.

Seu estado de serenidade lhe permitira cogitar a possibilidade de morte, e ao invés de ser tomado de assalto pelo temor, fora tomado por um desejo indiscreto de saber o que havia depois do término da vida física, e teve vontade de morrer. Afinal, o mesmo já tinha conquistado praticamente todas as coisas que havia desejado, e até então não tinha mais perspectivas de novas aventuras. O ato de se sentir impelido para a morte certamente o conduziria a um feito extraordinário, e o seu monstro seguramente assumiria sua verdadeira forma.

Todo o ser humano tem dentro de si um monstro que luta de contínuo para tornar-se manifesto, no entanto, a grande maioria reprime-o. Corte Real preferira soltá-lo, e deliciar-se com o seu conceito de razão, justiça própria, com a astúcia, e vez por outra com a fúria que acometia aqueles que cruzavam seu caminho. Quem ousara bater de frente com o mesmo encontrara o seu maior pesadelo. Certa feita um sujeito que tinha a concessão de dois garimpos o chamara de cristal sem valia. Procópio gastara uma fortuna com os donos das terras, e advogados, conseguindo assim anular as concessões, levando-o a bancarrota. Isso quando não lhes tirava a vida. No início o próprio se incumbia de fazer esse serviço, mas, na medida em que fora se tornando mais e mais poderoso, fora contratando assassinos profissionais para executar estes tipos de tarefas.

Durante muito tempo seu melhor prestador fora o primo Arquibaldo, porém, o seu último serviço não alcançara bom êxito, e o que viera como consequência fora a perda total de sua credibilidade junto a Corte Real. A vítima era Édipo, seu enteado. Ao invés do próprio Arquibaldo levar a cabo a execução, o mesmo terceirizara o serviço. O executor alvejara o alvo seis vezes, e acreditando que o alvejado estava morto tirara a máscara que encobria seu rosto, sem se dar conta de que a vítima ainda estava consciente, uma vez que os disparos tinham-no, atingido de raspam. Édipo já tinha visto-o mais de uma dúzia de vezes em companhia de Arquibaldo, por isso, sua prisão fora quase que de imediata.

Uma vez preso o atirador confessara de que o mandante do crime tinha sido Arquibaldo. Esta acusação resultara na sua prisão, mas em momento algum ele fizera alguma insinuação de que na realidade o verdadeiro mandante daquela tentativa de assassinato tinha sido Procópio, porém, Édipo tinha certeza absoluta quanto a isso, no entanto, lhe faltavam provas.

A velha águia lembrou-se deste ocorrido e a fúria veio à tona como a força de uma grande tempestade. Agora a morte não era bem vinda. O mesmo precisava continuar vivendo fisicamente para terminar aquilo que um atirador terceirizado havia começado. Édipo não podia continuar usufruindo da vida depois daquilo que lhe havia feito. Seu enteado não levara em conta o fato de que ele o tinha recebido como filho, e lhe dado tudo aquilo que um pai da para um filho.

O bimotor começa perder a altitude numa velocidade impressionante. O piloto e o copiloto emudecem. Os dois seguranças num ato de desespero começam a orar. Já Procópio continua inabalável, como se fosse senhor daquela situação.

 

CORTE REAL

Procópio Corte Real havia adquirido o gosto pela leitura bem cedo, e os livros tinham sido responsáveis por grandes aventuras na esfera teórica. Porém, chegara o tempo em que o mesmo sentira a necessidade de sair do campo teórico e viver na prática uma vida de aventuras. Em São Gabriel, hoje Ametista do Sul, na época distrito de Planalto, a agricultura e a agropecuária tinham cedido lugar à extração de pedras preciosas em larga escala. Os garimpos, antes ao ar livre agora eram feitos em forma de galerias. Empresas exportadoras haviam se instalados, e na medida em que o negócio ia prosperando mais e mais habitantes chegavam, assim como maquinário para a exploração do minério. Para um ser humano inserido dentro dos padrões normais esta evolução era algo extraordinário, mas não para o jovem Procópio. O mesmo queria ir muito além, por isso, em meado dos anos setenta, já com vinte e dois anos de idade, decidira abandonar o garimpo de pedras preciosas, e na companhia de um amigo entrar de modo ilegal na Guiana Francesa com o intuito de trabalhar na extração de ouro.

O dinheiro era insuficiente para pagar o piloto do barco que os cruzaria a fronteira marítima.

-Este é um sinal – disse o piloto. – Os amiguinhos não devem cruzar a fronteira!

A ingenuidade dos jovens aventureiros era manifesta em seus rostos, e diante desta realidade o piloto chegara à conclusão de que os dois não sobreviveriam muito tempo do lado de lá, por isso, tentara desencorajá-los. Porém, Corte Real era insistente, e começara tentar persuadi-lo a aceitar o dinheiro que tinham mais seus livros para atravessá-los.

Diante de sua persistência o piloto cedera, mas com a consciência pesada, tendo para consigo que iria conduzi-los direto para a morte. Com a intenção de prolongar o máximo possível suas vidas, antes do desembarque o mesmo dera todas as dicas de como deveriam postar-se no país que estavam prestes a entrar.

-Daqui pra frente é tudo com os amiguinhos – disse ele, já se preparando para retornar ao lado brasileiro.

 

Devido as circunstância a Guiana Francesa se transformara num verdadeiro inferno, para os dois jovens. Sem dinheiro e sem perspectivas de mudar aquela situação começaram arquitetar um plano para retornar ao Brasil, e chegaram à conclusão de que a única maneira de escapar daquele pesadelo era praticando um assalto com extremo amadorismo. Certamente o que viria como consequência deste ato seria uma prisão preventiva que automaticamente resultaria numa extradição.

 

Um avião os deixara no nordeste brasileiro. Dali começara uma longa jornada em direção ao sul. Partes do caminho eram percorridas a pé, outras na carroceria de caminhões.

Certa vez, ao vê-los sentados num banco de uma pracinha, o delegado de uma cidadezinha nordestina achegara-se a eles.

-Vejo que os jovens não são destas bandas. Estão de passagem?

-Sim – respondeu Procópio. – Somos do sul, e estamos retornando pra lá!

-Com certeza sonharam com uma grande aventura, e se meteram numa grande enrascada!

-É isso mesmo – afirmou o outro jovem.

-Pelo estado em que se encontram suponho que estão sem dinheiro para irem de ônibus, para comer, e que pretendem passar a noite aqui na praça!

-Sim – respondeu Procópio.

-Se fizerem isso serão assassinados. Esta cidadezinha é extremamente violenta!

-E o quê o senhor nos sugere? – indagou o outro jovem.

-A minha sugestão é que durmam na delegacia. Há uma cela vazia, onde poderão passar a noite. Amanhã de manhazinha poderão seguir viagem!

Sem delongas os garotos acataram a sugestão da autoridade.

 

Além de arranjar um lugar para dormir o delegado pagara aos jovens aventureiros um jantar, um café da manhã, e ainda dera mais certa quantia em dinheiro para os mesmos comprar alimentos até certo ponto do caminho.

-Isso é tudo o que posso fazer por vocês. Gostaria de poder ajudá-los um pouco mais, mas não tenho condições!

-O delegado já fez bastante por nós, e sempre seremos gratos para com o senhor – assegurou Procópio.

E com os ânimos renovados seguiram em frente.

 

Em virtude da falta de condições de suprir suas necessidades mais básicas, quanto mais se aproximavam do estado do Rio Grande do Sul, mais e mais escabrosa a jornada se tornava. As forças físicas se esvaíam de modo ininterrupto. As tonturas haviam se tornado uma constância, e os mesmos pressentiam que a qualquer momento ocorreria à perda total dos sentidos. Esta situação ao extremo era decorrente da má alimentação, da pouca ingestão de água, e da quantidade exacerbada de suor que se esvaia a cada dia, deixando-os muito debilitados, mas, mesmo se arrastando eles seguiram em frente.

 

Quem primeiro avistara Procópio fora sua mãe. Condoída a mesma correra ao seu encontro abraçara-o, beijara-o, e começara fazer perguntas uma atrás da outra, sem dar tempo para o filho pródigo emitir uma resposta.

Já seu pai rangia os dentes e tremia de raiva. Sua vontade era dar uma sova no desmiolado, metido a aventureiro. O filho mais velho há pouco havia se formado em direito. A filha estava prestes a se formar em medicina. Já Procópio, o caçula, estava de volta a sua casa, formado no quesito maltrapilho. Pensara em pegá-lo pela mão e jogá-lo num garimpo qualquer, mas conteve-se, visto que havia grandes possibilidades do mesmo ter aprendido a lição.

 

Para agradar o pai, Procópio retomara os estudos, e para não quebrar o vínculo com a cultura garimpeira começara comprar um pequeno lote de pedras preciosas aqui e ali até o início da década de oitenta, quando começara uma corrida ao ouro no sul do Pará. As primeiras pepitas foram encontradas num lugar conhecido como Açaizal, cem quilômetros da sede do município de Marabá, e a notícia correra numa velocidade espantosa chegando aos lugares mais longínquos. Em apenas um mês o aglomerado de pessoas nos arrabaldes já passava de cinco mil, e a cada dia chegava mais e mais pessoas dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Paraíba entre outros, atraídas pelo sonho de enriquecimento fácil e rápido. O jovem sulista Procópio Corte Real também abandonara tudo e fora tentar a sorte no maior garimpo a céu aberto do mundo.

O complexo mineral abrangia uma área de aproximadamente cinco mil hectares, e tinha se transformado num verdadeiro formigueiro humano, e Procópio era uma minúscula parte do todo.

 

Rapidamente Serra Pelada se transformara em Área de Segurança Nacional, e na tentativa de legitimar a presença ostensiva do Estado dentro do garimpo, as oito e às dezoito horas havia o hasteamento das bandeiras do Brasil, do Pará e de Marabá, ao som do hino nacional. O foco principal do jovem sulista deveria ser o ouro, no entanto, o modo em que era imposta a ordem e as disciplinas militares lhes atraía como um imã. Aquele delineamento inicial de um poder ditatorial lhe causava extremo fascínio. A força deste comando podia apenas decretar, assim como fazer uso de certas alegações quando lhe convinha, como fora no caso do recolhimento de todas as armas de fogo dos garimpeiros, mediante alegação de que seriam devolvidas acompanhadas de registro federal. Sem sombra de dúvida, fora um ótimo estratagema para desarmá-los, e deixá-los em poder das armas dos oficiais. Chegara à conclusão de que ter tentáculos em todas as partes funcionando como olhos, e forças repressoras, detentoras do poder de preservar e tirar vidas era o desejo de todo o homem.

“Exercer poder absoluto sobre as pessoas, principalmente sobre as inimigas, deve ser como atingir o grau máximo de excitação numa relação sexual ou na masturbação” – pensou.

Nas vias de acesso ao garimpo, agora, tinham postos de revistas da Polícia Militar e Federal, tentando impedir que pessoas sem autorização chegasse ao garimpo, porém, o número de furões era grande. Procópio concluíra que este ponto falho era um efeito colateral, assim como aquele que acontecera quando a entrada de bebidas alcoólicas e de mulheres fora proibido, gerando de modo clandestino um mercado interno, basicamente de cachaça e de prostituição. Contudo, essas deficiências militares não haviam lhes tirado o fascínio pelas ações ditatoriais.

 

Junto com as pequenas agências bancárias haviam chegado algumas igrejas. O jovem sulista teve a oportunidade de ver as lideranças eclesiásticas em ação, e deduzira que aquele modelo de controle e manipulação não fazia o seu tipo. O sistema ditatorial assumia toda a responsabilidade pelos seus atos.                             Já o sistema religioso desencadeava ações de acordo com os instintos humanos, e as creditava a Deus, isentando-se de toda forma de responsabilidade, e isso aos seus olhos era injusto, e esta constatação fizera com que o mesmo admirasse ainda mais o sistema militar ditatorial, embora a ordem militar contrastasse com um grande número de conflitos internos dentro do garimpo.

 

Por um momento Procópio pensara em desistir, uma vez que grandes levas de garimpeiros estavam sendo acometidos pela malária, e quando não era a malária era a hepatite, a pneumonia e a hanseníase. Além disso, os acidentes de trabalho, como mutilações e desmoronamentos de barranco, estavam sendo uma constância, sem falar nas contaminações pelo mercúrio.

Estes fatos foram motivos de ponderações por parte dele. Porém, o mesmo decidira confiar na sorte, e continuar sendo mais uma formiga no meio daquele grande formigueiro humano.

 

Os que bamburravam cometiam todos os tipos de excessos na área financeira, como fora o caso do garimpeiro que só tomava banho com água mineral. Outro fretara um Boeing 747, de Belém a São Paulo somente para visitar a antiga namorada.

Um segundo grupo ostentava no pescoço grossos cordões de ouro, dentes de ouro, e a tiracolo grandes toca-fitas, ou então carrões zero quilômetro. O jovem sulista postava-se de modo discreto, levando a cabo o seu desejo de não dar nas vistas.

 

Os excessos dos garimpeiros que bamburravam trouxeram como consequência um número assustador de cabarés e bordéis nas proximidades do garimpo, e nada mais justo do que um pouco de diversão, mesmo que fosse paga. Procópio só fazia visitas aos bordéis, e isso altas horas, quando já estavam prestes a fechar, e na maioria das vezes convencia as prostitutas a ter relações sexuais com ele sem paga. Isso era para por a prova seu charme, simpatia, carisma e sua capacidade de persuasão, uma vez que depois do ato consumado o mesmo sempre pagava o dobro daquilo que elas cobravam por uma transa. Este tipo de procedimento o tornara muito popular entre as prostitutas. Para elas o mesmo era um grande conquistador que no final do ato sexual tornava-se o melhor dos clientes sem, contudo, deixar transparecer o seu real estado financeiro.

 

A cada dois meses a mãe Abigail recebia uma carta. Por meio da escrita Procópio sempre assegurava que tudo estava fluindo de acordo com seus planos, e que brevemente retornaria muito rico. Quando a mesma comentava com o marido Aníbal a respeito do possível enriquecimento do filho sempre vinha uma mescla de ressentimento, e culpa por parte dele. Ressentimento em decorrência da não obediência de Procópio no que diz respeito aos seus conselhos, e culpa por comprar os livros solicitados por ele.

Seu filho mais velho era advogado e a filha médica. Estes dois costumavam de contínuo ler obras didáticas, por isso, haviam se tornado pessoas bem sucedidas na vida. Já Procópio, o mais moço, um dia chegara por acaso as suas mãos um romance policial. Desde então o mesmo se apegara com grande paixão a histórias fictícias, lendo um livro de duzentas páginas ou mais em dois, três dias. Com o decorrer do tempo as consequências apareceram. Ao invés dos livros didáticos o nenê da família preferira o árduo trabalho nos garimpos, afirmando de modo categórico que não queria viver uma vida previsível, centrada na mesmice, igual à de seus irmãos. Isso causara grande desgosto a Aníbal. Jamais ele havia cogitado a possibilidade de seu filho tornar-se de fato um aventureiro. De acordo com o seu conceito o máximo que Procópio poderia chegar era ao posto de um contista, ou romancista por hobby, jamais por profissão, uma vez que para ele todo o escritor era um aventureiro frouxo, sem coragem de viver na prática aquilo que realmente desejava. Por isso ficava escrevendo fantasias, e aos seus olhos o seu filho menor em idade era um covarde. Mas o mesmo se revelara um aventureiro destemido, e Aníbal não havia se preparado para isso, e esta falta de preparo era a responsável pela sua inconformidade com a escolha do filho.

 

A cor da pele do jovem aventureiro agora estava um tanto morena. Esta cor trigueira e a expressão profunda no olhar não deixavam dúvidas: o garimpo tinha lhe judiado além da conta. Contudo, depois de uma minuciosa inspeção, sua mãe Abigail chegara à conclusão de que o novo tom de pele e a expressão profunda no olhar haviam dado um toque a mais de requinte ao seu charme, carisma e simpatia.

Após o exame minucioso de Abigail, fora a vez de Aníbal procurar saber como tinha sido sua estadia no sul do Pará, e os relatos do filho lhes deixaram estupefato. Serra Pelada não era bem como a imprensa anunciava. O cenário descritivo apresentado por Procópio era aterrador, e quanto mais ia se revelando, mais e mais impressionando o mesmo ficava com o destemor do filho.

 

Em 1961 Jânio Quadro renunciara, e o vice João Goulart, num clima político extremamente adverso, assumira a presidência da Republica. Uma vez empossado Goulart promovera abertura às organizações sociais. Trabalhadores e estudantes ganharam espaço, levando preocupação às classes mais conservadora constituída de empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Na época a Guerra Fria estava em seu apogeu. Este fato causara o temor de uma alteração súbita do Brasil para o lado socialista, levando preocupação até mesmo aos EUA, que receavam um golpe comunista. A União Democrática Nacional (UDN), e o Partido Social Democrático (PSD), partidos de oposição acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda. Jango também era responsabilizado pela escassez, e pelo desabastecimento que o Brasil estava enfrentando.

Ignorando as acusações dos partidos de oposição, no dia 13 de março de 1964, num comício na Central do Brasil, Rio de Janeiro, o então presidente defendera as Reformas de Base, prometendo mudanças drásticas na estrutura agrária, econômica e educacional do país, fazendo com que seis dias depois os conservadores organizassem uma manifestação contrária aos seus planos. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade reunira milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.

 

A crise política, e as tensões sociais se intensificavam. Incitadas por Magalhães Pinto, governador de Minas Gerais, Adhemar de Barros, governador de São Paulo, Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro, e pelos grandes veículos de comunicação do centro do país, em 1964 tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas. Jango tinha duas opções: resistir, e se responsabilizar pela guerra civil que viria como consequência, ou então refugiar-se. Refugiar-se no Uruguai fora a sua opção.

 

As Forças Armadas do Brasil derrubaram o governo do presidente constitucional João Goulart, e implantaram o sistema ditatorial no país. A primeira coisa que viera como consequência fora o Ato Institucional Número 1 (AL-1), que caçara os mandatos políticos de opositores ao regime, e tirara a estabilidade de funcionários públicos.

Como em todos os regimes militares se tornara comum ver soldados armados de fuzis prenderem uma grade quantidade de pessoas, sendo que o alvo principal era políticos democratas, dirigentes populares e intelectuais. Sindicatos foram invadidos à bala, enquanto que nas escolas e universidades, os professores progressistas eram expulsos. Censores ocuparam os jornais, e não houve como evitar a prisão de muitos jornalistas, uma vez que a ordem era calar a boca de qualquer oposição ao regime.

 

O regime militar começara em 1 de abril de 1964 e findara em 15 de março de 1985, quando José Sarney assumira o cargo de presidente. Pouco tempo depois deste marco histórico, Procópio retornara a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, e fizera com que um simples piloto de barco se tornasse dono de uma grande frota de lanchas voadeiras.

Novamente a caminho do sul o mesmo fizera uma rápida visita a um delegado de uma cidadezinha do interior nordestino, tornando-o, do dia para noite num homem de grande poder aquisitivo.

 

De volta a Ametista do Sul, Procópio criara sua empresa de exportação, e de modo clandestino começara agir em várias áreas da sociedade. Aparentemente o seu sistema oferecia comodidade e praticidade aos que dele faziam uso. Porém, com o decorrer do tempo todos que se utilizavam dele se viam presos como insetos na teia de uma aranha, sem ter a mínima chance de escapar.

Fora nessa época que Alana entrara em sua vida. Alana era uma mulher de beleza estonteante, dotada de grande inteligência, e elegância. Além disso, tinha extremo bom gosto. Assim que colocara os olhos nela, o mesmo a amara, e ignorando por completo o fato de que ela já tinha um filho a assumira sem pensar duas vezes.

 

De fato Alana e Procópio se completavam em tudo. Dentro da esfera familiar um sabia de antemão quais atitudes o outro iria tomar em determinadas situações. A sintonia era tão perfeita que quando um queria amar o outro também queria. Não havia timidez. Aos poucos iam despindo-se. A nudez de Alana já era tão comum, contudo completava-o. Suavemente os rostos se achegavam, e Procópio beijava-a. O ar que Alana respirava era o dele, e o ar que o mesmo respirava era o dela. Os corpos ficavam colados. Os braços dela se enroscavam em volta de seu pescoço. Seus braços em torno de sua cintura procuravam trazê-la mais, e mais para junto de si. Num movimento sincronizado rolavam na cama, ficando ela embaixo, deixando Procópio penetrar seu corpo, e sem gemidos ia vagarosamente levando o sexo de seu amado para o lado que lhe dava mais prazer. Era um jogo de paciência com a certeza que ambos sairiam ganhando no final.

Na cama os mesmos eram previsíveis, pragmáticos, e acreditavam que a eles era imposto aquele pragmatismo que chamavam de amor, alimentado com beijos e carícias facial.

 

Os anos 90 haviam chegado, e Procópio Corte Real agora era detentor de um poder extraordinário. Às margens da lei era bem verdade, mas esse fato não anulava este poder. O mesmo tinha em suas mãos políticos do baixo e alto escalão, pastores, padres, bispos, apóstolos, juízes, advogados, e muitos outros figurões da alta. No jogo de interesses todos serviam como moedas de compra, e troca, e também como produtos a serem vendidos.

O ponto trabalhoso era que diante de um ataque aos insetos de sua teia, obrigatoriamente uma ação tinha que ser desencadeada, sempre resultando em mortes. Uns bebiam demais e morriam afogados na banheira, ou então adormeciam na cama com o cigarro aceso, outros de overdose. Essas eram as práticas mais comuns de se cometer assassinatos por parte dos contratados de Procópio.

 

O pessoal preso na teia da aranha macho Procópio Corte Real começara chegar com seus familiares para a festa anual, feita exclusivamente para os mesmos.

Durante praticamente o ano todo, a mansão era tomada pela calmaria, exceto no dia da festa.

Alana adorava ver a cara de embasbacados dos convidados ao chegar à mansão caracterizada por uma esplendida fachada de estilo clássico, exibindo detalhes em arenito, com elegantes portas de vidro reforçando-a, dando aos visitantes excelentes vistas do jardim que circundava a residência. No seu interior uma estrutura em dois andares era ligada por uma escada em espiral, dominando a entrada. A moradia possuía sete quartos, e uma suíte separada para hóspedes. Grande parte dos pisos era aquecida, tendo complemento de um dispositivo tecnológico que avaliava o conforto e mantinha a temperatura ideal a cada estação do ano. A cozinha era espaçosa e equipada com os mais recentes aparelhos, enquanto que os cinco banheiros eram de mosaico precioso.

No segundo andar havia uma sala de cinema com projeção de imagens em alta definição, e com dolby surround, e um luxuoso escritório. Um salão de vinhos completava a estrutura. Nele os hóspedes podiam perder a tensão bebendo uma taça de vinho produzido pelas vinícolas mais renomadas. Ainda havia uma área de fitness, incluindo um ginásio ultramoderno.

 

O centro das atenções agora era Alana, e isso dera a Procópio a certeza de que ninguém perceberia sua ausência. De modo sorrateiro o mesmo saíra, e entrara no escritório.

Não importava o lugar e as circunstâncias, Alana sempre atraia para si todas as atenções. Além da beleza, a mesma sabia vestir-se, e postar-se com extrema elegância, e se isso não bastasse ainda havia outro fator preponderante: sua inteligência. Os assuntos relacionados à moda, e questões da alta sociedade eram desenvolvidos com grande desenvoltura por parte dela, fazendo com que as demais mulheres ficassem em estado pleno de fascinação pela sua pessoa. Já os homens, ignorando por completo o risco que seria ter um caso amoroso com a esposa do poderoso Procópio Corte Real, geralmente se aproximavam dela com uma pontinha de esperança de quem sabe um dia leva-la para cama.

 

Com um olhar desconfiado, Ariana, esposa do deputado Cândido, observava tudo ao derredor. Ao ver Procópio entrar no escritório afastara-se dos demais, e como felina no cio fora acolher-se em seus braços. Suas mãos começaram a deslizar em seu corpo, deixando-a, completamente imóvel, incapacitada de tentar uma fuga. Ao acariciar suas partes íntimas uma espécie de arrebatamento confundira realidade e ficção, e por um momento chegara a pensar que tudo não passava de mero desejo. O sexo de Corte Real em seu sexo demonstrava senhorio. No mesmo instante que desejava que aquele momento não chegasse ao fim, seus sussurros intensos, e até certo ponto exagerados, corriam à linha de chegada: ao orgasmo. Seu sexo a controlava por completo, fazendo dela o que bem queria, com a safadeza de um bom cafajeste. Já saciada, com o suor escorrendo em seu rosto, ela acolhera-se uma vez mais em seus braços. Procópio ainda era o mesmo: forte, viril como os jovens, e com todo o poder de um estadista.

 

Com exceção da mãe, os demais membros de sua família começaram a perceber que uma grande parte das pessoas que se faziam presente no jantar temia-os, e este fora o fator motivacional que levara o pai Aníbal e o seu irmão Enzo a procurá-lo.

-As pessoas presente neste jantar têm medo de mim – afirmou Enzo, com ar de preocupação.

-É claro, você é advogado – brincou Procópio. –Todos têm medo de advogados!

-Puxa irmão, não brinque com coisa séria!

-Me diga Enzo: existem pessoas mais safadas do que advogados?

-Chega Procópio. Como pai eu tenho o direito de saber: por que elas têm receio de nós?

-Ora pai, de um jeito ou de outro todas as pessoas que se fazem presente neste jantar dependem de mim. O receio delas é não poder mais contar com a minha ajuda. E, é claro que este sentimento respeitoso estende-se a toda a família!

-Elas não estão demonstrando sentimento respeitoso para conosco – disse Enzo -, na verdade as mesmas estão se sentindo amedrontadas, e somos nós que estamos infundindo medo nelas!

-Me diga como, Enzo?

-Me diga você?

-Não insista, Enzo. Vamos falar com Alana. Com certeza a mesma nos dirá alguma coisa relevante a esse respeito!

E frustrados ao extremo se afastaram.

 

Um intenso sentimento de alívio se apossara de Procópio. Afinal, ele já estava se sentindo encurralado, e cogitava até mesmo a possibilidade de atacá-los, assim como faz todo cão acuado. Mas a pressão havia passado.

Com relação ao pai e o irmão, o mesmo não tinha dúvidas: Alana frustrá-los-ia, ainda mais, visto que não tinha conhecimento de seus negócios lícitos, e muito menos dos escusos e ilícitos.

No meio dos muitos atributos sua esposa tinha um grave defeito: somente enxergava as coisas que faziam parte de seu mundinho pessoal. Fora dele Alana deixava passar batidos fatos de extrema relevância. É claro que para Procópio este seu defeito constituía-se numa grande virtude.

 

O jantar havia acabado, e todos os convidados se retirado. Procópio queria dormir, mas Alana insistia em falar no quanto seu jantar tinha sido um sucesso, e em narrar os fatos ocorridos naquela noite nos mínimos detalhes, e é claro que o interrogatório do sogro e do cunhado não poderia ter faltado.

-Seu pai e o Enzo me fizeram umas perguntas estranhas!

-Esqueça isso querida!

-As perguntas deles eram sem pé nem cabeça!

-Se você diz que eram sem pé nem cabeça, então eu acredito. Agora chega. Vamos dormir!

E vira-se para o lado.

 

Numa de suas viagens a São Paulo, Procópio conhecera Yasmim, uma jovem que não havia relutado em abrir mão de muitas coisas para tentar conquistar espaço na carreira de modelo, no entanto, sua disciplina e atitude não lhe renderam glamour e flashes, e agora estava procurando alcançar sucesso como atriz. Procópio usara o seu poder de persuasão, e a convencera a abandonar tudo, vir morar em Ametista do Sul, e ocupar o posto de sua amante.

 

Yasmim passara a ter tudo e nada ao mesmo tempo. A mesma podia comprar e usar roupas caras. Roupas de grife confeccionadas em pequena escala, assim como roupas de marca com produção em massa, frequentar restaurantes caros, conhecer o mundo todo, mas tudo na companhia de Procópio, o homem que se julgava seu proprietário, e a mantinha cativa psicologicamente, fazendo com que o desejo de suicídio fosse uma constância em seu dia a dia.

 

Com Alana, Procópio nunca tivera a necessidade de ir além do tradicional pai e mamãe para satisfazer-se sexualmente. Já Yasmim constituía-se num vício que o colocava em estado de fúria.

A posição era sempre a mesma. Yasmim postava-se de quatro sobre a cama, e Corte Real, impulsionado por uma fúria de gigante afundava-se em seu ânus. O ímpeto era tanto que pouco tempo depois seus braços perdiam as forças, e Yasmim era obrigada a colocar a cabeça no travesseiro. Em seguida era a vez das pernas irem enfraquecendo-se, começando lentamente a deslizarem-se no colchão, levando-a, a ficar estendida em baixo dele que, continuava a afundar-se em seu ânus até atingir o auge da satisfação sexual.

 

O ódio de Yasmim com relação a sua própria vida durara até o dia em que conhecera Édipo. De tanto insistir Procópio dera um jeito, e ela conseguira entrar numa das festas de Alana, e seu olhar se cruzara com o de Édipo. Seu universo sombrio a partir de então recebera luz, e o fogo do desejo da juventude encarregava-se de incendiar ainda mais aquela paixão abrasadora que era correspondida com a mesma intensidade.

 

Procópio não demorara em descobrir o caso amoroso entre o seu enteado, e sua amante, e sem pestanejar dera ordem para o primo Arquibaldo acabar com a vida de Édipo, mas preservar a vida de Yasmim, a qual considerava sua propriedade. Afinal, como poderia ele desfazer-se de algo que lhe pertencia, e lhe dava grande prazer?

Como naquele momento Arquibaldo empregava todo o seu tempo em descobrir a melhor maneira de assassinar o velho piloto Herculano, o mesmo resolvera terceirizar o serviço.

O contratado fora um velho amigo seu, e o mesmo mostrou-se corajoso, mas nada inteligente. Em épocas passadas, épocas em que a imprensa não estava atenta a todos os acontecimentos, eliminar um inimigo ou alguém que estava prejudicando seus negócios a tiros era certeza de impunidade. Mas nos dias atuais os meios de comunicação vinculavam uma notícia de assassinato, e automaticamente colocavam pressão nas autoridades que eram obrigadas a investigar a fundo o acontecido, quase sempre chegando aos culpados. Ciente disso Procópio Corte Real exigia que os assassinatos encomendados por ele sempre parecesse um acidente. Porém, o amigo de Arquibaldo descarregara um revolver em Édipo que contrariara aquela máxima de que uma pessoa má pode ser alvejada por inúmeros tiros que não perde a vida, e uma pessoa boa acaba morrendo com uma bala que lhe atingira de raspam. Édipo era um garoto bom, fora alvejado por seis tiros e conseguira sobreviver.

 

Herculano havia se aposentado por tempo de contribuição, contudo, o mesmo continuara trabalhando a Corte Real como piloto particular. Com o decorrer dos anos sua saúda entrara em estado precário, e isso fizera com que ele optasse por ficar em casa curtindo a esposa e os netos. Procópio muito insistira para que o velho continuasse na ativa, mas o mesmo mostrou-se irredutível.

Diante de sua inflexibilidade Corte Real não vira outra saída a não ser mandar assassina-lo, uma vez que ele sabia demais, sendo que Arquibaldo fizera um serviço bem feito, assassinando-o, com tanta minúcia que parecera um acidente, e o seu lugar fora ocupado por Ventura.

 

O bimotor estava perigosamente desestabilizado. Para Ventura a causa poderia ser o arrasto aerodinâmico provocado pelo motor e hélice ou então palhetas inoperantes. Ventura era um piloto tarimbado, durante anos havia pilotado monomotores nas operações garimpeiras nas regiões norte, nordeste e no centro oeste brasileiro, fazendo parte do grupo de pilotos apelidados de Kamikazes garimpeiros. Mas como piloto de um bimotor, uma aeronave mais complexa, com um sistema de operação mais complicado, o mesmo era um principiante, e a extrema dificuldade para embandeirar a hélice e fazer os ajustes de leme necessários para reverter à assimetria gerada naquela situação de emergência era decorrente desta falta de experiência.

 Além do piloto e copiloto estavam abordo o proprietário da aeronave, o milionário Procópio Corte Real, e dois dos seus seguranças.

-Eu não estou conseguindo embandeirar a hélice e fazer os ajustes de leme – grita o piloto.

-Continue tentando – manda um dos seguranças.

Mesmo diante do iminente acidente Procópio continuava demonstrando uma frieza inabalável. A velha águia prosseguia mentalmente sustentando-se no ar, com as asas bem abertas, sem movimento aparente, planando a grandes alturas, orgulhosa e confiante. Com sua visão aguçada correra os picos dos montes que circundavam o povoado São Valentim da Gruta. De fato cada um de seus olhos parecia ter dois pontos de focagem, fixados nos minúsculos pedacinhos de cascalhos extraídos da rocha pelos garimpeiros, e que haviam se transformado em grandes manchas cinzenta no meio das plantações esverdeadas. Via-os com a mesma precisão que uma águia consegue ver uma presa a centenas de metros de altitude.

Seu estado de serenidade lhe permitira cogitar a possibilidade de morte, e ao invés de ser tomado de assalto pelo temor, fora tomado por um desejo indiscreto de saber o que havia depois do término da vida física, e teve vontade de morrer. Afinal, o mesmo já tinha conquistado praticamente todas as coisas que havia desejado, e até então não tinha mais perspectivas de novas aventuras. O ato de se sentir impelido para a morte certamente o conduziria a um feito extraordinário, e o seu monstro seguramente assumiria sua verdadeira forma.

Todo o ser humano tem dentro de si um monstro que luta de contínuo para tornar-se manifesto, no entanto, a grande maioria reprime-o. Corte Real preferira soltá-lo, e deliciar-se com o seu conceito de razão, justiça própria, com a astúcia, e vez por outra com a fúria que acometia aqueles que cruzavam seu caminho. Quem ousara bater de frente com o mesmo encontrara o seu maior pesadelo. Certa feita um sujeito que tinha a concessão de dois garimpos o chamara de cristal sem valia. Procópio gastara uma fortuna com os donos das terras, e advogados, conseguindo assim anular as concessões, levando-o a bancarrota. Isso quando não lhes tirava a vida. No início o próprio se incumbia de fazer esse serviço, mas, na medida em que fora se tornando mais e mais poderoso, fora contratando assassinos profissionais para executar estes tipos de tarefas.

Durante muito tempo seu melhor prestador fora o primo Arquibaldo, porém, o seu último serviço não alcançara bom êxito, e o que viera como consequência fora a perda total de sua credibilidade junto a Corte Real. A vítima era Édipo, seu enteado. Ao invés do próprio Arquibaldo levar a cabo a execução, o mesmo terceirizara o serviço. O executor alvejara o alvo seis vezes, e acreditando que o alvejado estava morto tirara a máscara que encobria seu rosto, sem se dar conta de que a vítima ainda estava consciente, uma vez que os disparos tinham-no, atingido de raspam. Édipo já tinha visto-o mais de uma dúzia de vezes em companhia de Arquibaldo, por isso, sua prisão fora quase que de imediata.

Uma vez preso o atirador confessara de que o mandante do crime tinha sido Arquibaldo. Esta acusação resultara na sua prisão, mas em momento algum ele fizera alguma insinuação de que na realidade o verdadeiro mandante daquela tentativa de assassinato tinha sido Procópio. Porém, Édipo tinha certeza absoluta quanto a isso, no entanto, lhe faltavam provas.

A velha águia lembrou-se deste ocorrido e a fúria veio à tona como a força de uma grande tempestade. Agora a morte não era bem vinda. O mesmo precisava continuar vivendo fisicamente para terminar aquilo que um atirador terceirizado havia começado. Édipo não podia continuar usufruindo da vida depois daquilo que lhe havia feito. Seu enteado não levara em conta o fato de que ele o tinha recebido como filho, e lhe dado tudo aquilo que um pai da para um filho.

O bimotor começa perder a altitude numa velocidade impressionante. O piloto e o copiloto emudecem. Os dois seguranças num ato de desespero começam a orar. Já Procópio continua inabalável, como se fosse senhor daquela situação, contudo o inevitável acontece. Depois dos destroços, foi a vez de uma grande explosão acabando com qualquer possibilidade de haver sobreviventes.

 

Exibições: 26

Comentar

Você precisa ser um membro de Associação Internacional de Escritores e Artistas para adicionar comentários!

Entrar em Associação Internacional de Escritores e Artistas

© 2018   Criado por Izabelle Valladares.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço