Esta é uma rede social de escritores,artistas plásticos  e músicos, para associar-se a Literarte - Associação Internacional de escritores e artistas, entrem no site www.grupoliterarte.com.br e conheça todas as vantagens em ser um associado!

 

 

A sensibilidade para as questões sociais, é uma das muitas faculdades necessárias ao bom desempenho de funções executivas, desde logo no quadro da administração pública: central, regional e local, com especial significado nas pequenas comunidades rurais e, atualmente, cada vez mais importante, também no setor empresarial privado.

Com efeito, mais relevante, porque essencial, porquanto satisfaz necessidades de primeira grandeza, designadamente, nos domínios da: assistência aos idosos, às crianças carenciadas, saúde, alimentação, habitação; apoio aos desempregados na educação, formação, para todos os escalões etários, segundo o conceito de aprender ao longo da vida, até porque já não há educação e formação para médio e longo prazos e, muito menos, definitivas. Hoje, o conceito é: “aprender ao longo da vida”

Cabe, aqui e neste contexto, defender uma formação específica para as famílias, no âmbito da aquisição de conhecimentos e boas-práticas, na planificação, orçamentação e administração dos recursos do lar. É perfeitamente possível, a uma autarquia, ao nível das Câmaras Municipais, (Prefeituras no Brasil) instituir, e colocar em funcionamento, a denominada Escola Social. Tratar-se-á de um investimento que, a médio prazo, produzirá resultados visíveis e, certamente, muito satisfatórios.

Na verdade, diversas Câmaras Municipais, e algumas Juntas de Freguesia, (Subprefeituras no Brasil) de grandes dimensões territoriais, e populacionais, embora com maior capacidade das primeiras, dotadas, como normalmente estão, com pessoal técnico de várias especialidades, e de nível superior, com infraestruturas diversas, edifícios económica e facilmente adaptáveis, equipamentos que, igualmente, possuem, e/ou reúnem, condições para responder ao desafio deste novo século.  

Reduzir ou suster o crescente número de pessoas carenciadas, inadaptadas, ultrapassadas pelos progressos científico e tecnológico e, em diversas circunstâncias, marginalizadas, em muitos casos, justamente, por desconhecimento, por inabilidade em gerir os próprios e escassos recursos, o tempo e a formação, acomodando-se, quantas vezes, a um qualquer subsídio, ou a uma pensão de aposentação, ainda que exígua.

A formação de executivos, sensibilizados para as questões sociais, naturalmente que pode iniciar-se no seio da família, em conjugação com uma preparação mais específica, a ser ministrada nas e pelas instituições de Educação e Formação Profissional, especializadas nos diversos domínios do conhecimento, da técnica e da ciência.

É óbvio que a importância e influência da família são fundamentais: quer na preparação geral da criança, do jovem e até do adulto; quer na sensibilização para interiorizar, e depois levar à prática, valores essenciais, num contexto mais alargado de interculturalidade; quer, ainda, na compreensão das situações que se colocam à comunidade, umas, previsíveis, outras, imponderáveis, mas que é necessário resolver com bom senso, prudência e sentido social.

A Escola será, portanto, a parceira privilegiada da família ou, se se preferir, a Família será a coadjuvante preferencial da Escola, na formação de futuros executivos, capazes de entender e resolver os problemas sociais. Com tal objetivo considera-se que: «É da máxima urgência a formação de líderes estudantis que não se contentem com debates, mas que tenham um amplo campo de acção. Para isto se deverão criar Escolas de Líderes estudantis, onde se estuem as qualidades de liderança e principalmente se exercitem, através de exercícios práticos, sob a orientação de uma pessoa competente. Portanto, é da maior importância que nossos filhos não só tenham conhecimento da doutrina social, mas, ainda, segundo os seus princípios, nela sejam educados.» (GALACHE-GINER-ARANZADI, 1969:17).

 O papel crucial que o sistema educativo, nas suas diversas vertentes, domínios e disciplinas, desempenha na formação de futuros dirigentes políticos, empresariais, sociais e religiosos, recebe, por parte das famílias, um contributo inestimável, tanto mais essencial, quanto mais a Escola souber valorizar o papel da família, no seio da comunidade, até porque, todo o corpo escolar – docentes, administrativos, alunos e associações - de alguma forma, também se integram, e são parte ativa das respetivas famílias, de onde toda a pessoa provém.

Abdicando-se de absolutismos, e aceitando-se que: nenhum sistema, nenhuma instituição, nenhuma pessoa, são perfeitos, então afigura-se como mais correto e adequado valorizar, e rentabilizar, conhecimentos, experiências e estatutos dos diferentes agentes socializadores, na formação de executivos políticos, religiosos, empresariais, institucionais, cívicos e associativos, reconhecendo-se a influência da família neste processo.

Considera-se a família devidamente estruturada, na medida em que os valores que nela se podem praticar (algumas deploráveis exceções à parte) são uma boa garantia de sucesso, se levados à prática, no contexto da comunidade, porque: «O exercício da vivência democrática no lar, onde se aprende a dividir o poder através da participação de todos em clima de igualdade e respeito; a prática da tolerância ao processo de aprendizagem que se manifesta em tão variados níveis; a valorização de cada um como responsável da harmonia do todo; o desenvolvimento da capacidade de ouvir para depois falar; a aceitação dos limites de cada um para o equilíbrio do grupo, enfim, toda a disponibilidade para transcender cada momento individual, num aprendizado maior...» (BALIEIRO, in: Carvalho (Org.) 1994:127-28).

A parceria Escola-Família, ou vice-versa, a ordem não parece relevante, e/ou influenciadora dos resultados, ainda que na perspetiva temporal a família surja em primeiro lugar é, portanto, insubstituível, não necessariamente a única. O cidadão-executivo que urge formar, com o objetivo da satisfação social, ao nível das pequenas e grandes sociedades, será extremamente enriquecido com a aprendizagem que receber daquelas duas instituições e, na verdade, facilmente se reconhece a pessoa que é educada no seio de uma família equilibrada, de valores, em conjugação e parceria com uma escola imparcial, ideologicamente neutra.

Mas também é verdade que há muitas pessoas que, não obstante serem educadas no seio de famílias de bem, transformam-se, por razões diversas, em autênticas “criaturas-bestiais”, insensíveis, egoístas, ingratas, desleais, sem os valores civilizacionais e de boa convivência. Tornam-se narcisistas e egocêntricas, não sendo por culpa das boas famílias de onde provêm.

Infelizmente, tais “criaturas-bestiais”, ainda estarão à frente de muitas organizações, seja de carater cultural, cívico, político, religioso ou de outra natureza, com todos os prejuízos para quem depende de tais instituições. Naturalmente que essas “criaturas”, deveriam ter a humildade de reconhecer o quanto são nocivas, indesejáveis e tentarem aprender, interiorizar e praticar os genuínos princípios, valores e sentimentos, tão necessários, em muitas instituições, de solidariedade social, bem como noutros setores da vida em sociedade.

Num destes cenários, ganha relevância, e pertinência a formação de executivos competentes e sensibilizados, ou não, respetivamente, para a resolução de situações sociais difíceis, muitas das quais inaceitáveis, num mundo que se pretende mais justo e fraterno. Também aqui a prudência é uma arma poderosa.

A formação do executivo social, pressupõe, sem menosprezo por quaisquer métodos, conteúdos e avaliações noutras especializações, uma educação e formação especiais, dir-se-ía, únicas, porque compreender e resolver situações que afetam a dignidade humana, é bem diferente de realizar quaisquer outras intervenções materiais.

A pessoa humana está acima dos objetos, de outros animais e de outros interesses. A resolução de situações de carências diversas, não são compatíveis com realizações que visam, muitas vezes, o culto personalista de uma alegada entidade, ou a autopromoção de quem pretende destacar-se dos seus iguais, mas sem quaisquer méritos de humildade e respeito pelo próximo.

 É com tais preocupações que a educação e formação se revestem de características muito especiais, requerendo, ainda:

«1. Um certo ambiente, um clima social cristão. De pouco serviriam belos princípios, se o ambiente que se respira na família, colégio, paróquia, clube, cinema, imprensa, etc., são opostos à doutrina social cristã;

  1. Abertura aos outros. Descobrir ao ‘outro’ na nossa vida e esta descoberta nos leve a preocupar-nos e sentirmo-nos responsáveis por ele. Manifestação concreta do sentido social cristão é, sobretudo, sentir um vivo interesse pelos outros, pela situação concreta em que vivem os irmãos. Os problemas dos outros devem chegar a ser problemas de cada um;
  2. Sentido Social. Esta abertura aos outros não pode ficar em uma compaixão que leve talvez à beneficência e à pura assistência de indivíduos concretos para que seja uma abertura com verdadeiro sentido social tem que promover o desenvolvimento humano e orgânico da sociedade e da paz em todos os níveis da convivência. A educação no sentido social supõe despertar a sensibilidade para todos os problemas que afectam a vida dos homens e suscitar uma atitude de colaboração e sacrifício pelo bem comum;
  3. Educação da liberdade: (...). Isto implica a educação do homem para que no exercício dos seus deveres e direitos, proceda por decisões pessoais, fruto da própria convicção, da própria iniciativa do próprio sentido de responsabilidade, mais que por coacção, pressão, ou qualquer forma de imposição externa (...);
  4. Virtudes sociais. (...) uma actuação livre e responsável exige uma série de virtudes, sobretudo daquelas que são o fundamento de toda a vida cristã (...). E junto a estas, a sensibilidade social para os problemas dos outros, a responsabilidade em tudo quanto se realiza, a tolerância e respeito à opinião dos outros, a solidariedade e sentido de equipe, contra o individualismo, a veracidade e sinceridade, a lealdade, o civismo.» (GALACHE-GINER-ARANZADI, 1969:17-18).

A circunstância do cidadão-político ser eleito democraticamente, para um determinado cargo executivo, por si só, não lhe confere plena legitimidade decisória, se não estiver dotado de diversos conhecimentos, habilidades, experiências e, fundamentalmente, sensibilidade, respeito, solidariedade, amizade e lealdade, para com aqueles que sofrem as injustiças, que vivem em permanente carência de diversos recursos, que são hostilizados por serem pobres, qualquer que seja a natureza da sua pobreza: espiritual, material, liberdade, fraternidade e igualdade.

Em bom rigor: «A dimensão social do homem, que se pretende no cidadão do futuro, terá em conta a promoção do pleno desenvolvimento da personalidade de cada um, precisamente no quadro de uma sociedade assente na formação integrada, baseada nos valores humanos, com relevância para a dimensão pessoal e comunitária de cada indivíduo, direccionada para o exercício responsável, para a igualdade de oportunidades e de interesses, numa abertura para um futuro de qualidade, no respeito pelos direitos e deveres humanos, com observância pela solidariedade para com o outro e com o mundo, pelas ideias e pela consciência dos demais, numa permanente atitude de flexibilidade e de compromisso, na construção da fraternidade entre os homens e os restantes seres da natureza, ou seja, uma total cumplicidade ecuménica que conduza ao bem-comum.» (BÁRTOLO, 2009:99).

 

Bibliografia

 

BARTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2009). Filosofia Social e Política, Especialização: Cidadania Luso-Brasileira, Direitos Humanos e Relações Interpessoais, Tese de Doutoramento, (Curso Livre), Bahia/Brasil: FATECTA – Faculdade Teológica e Cultural da Bahia.

CARVALHO, António César Perri de, (Org.). (1994). A Família, o espírito e o tempo. São Paulo: Edições USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo

GALACHE – GINER – ARANZADI, (1969). Uma Escola Social. 17ª Edição. São Paulo: Edições Loyola

 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

 

Blog Pessoal: http://diamantinobartolo.blogspot.com

Facebook: https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

https://www.facebook.com/ermezindabartolo

Exibições: 14

Comentar

Você precisa ser um membro de Associação Internacional de Escritores e Artistas para adicionar comentários!

Entrar em Associação Internacional de Escritores e Artistas

© 2018   Criado por Izabelle Valladares.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço