Esta é uma rede social de escritores,artistas plásticos  e músicos, para associar-se a Literarte - Associação Internacional de escritores e artistas, entrem no site www.grupoliterarte.com.br e conheça todas as vantagens em ser um associado!

 

 

JORNALEIRO DESCALÇO

Todos os humanos podem ostentar uma, a sua história de vida, esta pode ser mais ou menos romanceada, consoante a aptidão de quem a contar.

Pedro Onofre por achar que, a sua era bastante rica, pensou em a equacionar, num exercício mental singular.

O nosso homem exercia a profissão de jornaleiro (de jorna), em jornadas de sol a sol. E sabe-se que quem trabalha muito, não tem tempo de ganhar dinheiro, o que a ganhar a jorna, desde novo, passando por diversos escalões, até a meia jorna diária constituía isso.

Depois ao atingir 16 anos de idade, ainda continuava descalço, passou a ganhar a jorna completa.

Aos 17 anos, por muito aguerrido, já então calçado, na sua aldeia passou a pertencer a um pequeno grupo de homens – jornaleiros, a formar uma elite que, em tempos de aperto sazonal, podiam ser contratados a ganhar cerca de três vezes mais.

No entanto, os acasos não existem, nem existiam. E as safras, em que entrava, eram como que, desafios diários permanentes: nunca o patrão ficaria a perder, por estabelecer esses contratos.

Porém, Pedro Onofre, sempre pensou, que não nascera, para ser jornaleiro; achava-se capaz de fazer mais do que trabalhar no campo.

Assim, já tinha o seu “timing” que se baseava, na obrigatória incorporação militar.

Veio o tempo de ser mobilizado, para a Guerra das Colónias. Logo aí, sendo praça, sem especialização específica, nos últimos sete meses foi nomeado substituto do Sargento especializado em Vaguemestre, ou seja coordenador do rancho lugar que, lhe valeu um louvor militar.

Depois da comissão na guerra, o destino foi o trabalho de atendimento ao balcão, na “Gijinha Popular" em Lisboa.

Depois uma empresa de zincogravuras, na freguesia das Mercês, Bairro Alto, ainda em Lisboa, onde foi coordenador de todo o movimento de trabalhos, onde viria a chefiar o escritório.

Depois coordenador editorial na Bertrand & Irmãos, no Dafundo, onde já com o 5º. Ano, incompleto, Pedro Onofre, aos 28 anos adquiriu o seu automóvel, zero quilómetros.

O mesmo que dizer em 11 anos, passou de pé descalço a detentor de automóvel próprio.

O feito não pode deixar de ser mencionado, tanto mais, que nunca foi usada a velha e relha “cunha”.

Daniel Costa

Exibições: 7

Comentar

Você precisa ser um membro de Associação Internacional de Escritores e Artistas para adicionar comentários!

Entrar em Associação Internacional de Escritores e Artistas

© 2018   Criado por Izabelle Valladares.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço