Esta é uma rede social de escritores,artistas plásticos  e músicos, para associar-se a Literarte - Associação Internacional de escritores e artistas, entrem no site www.grupoliterarte.com.br e conheça todas as vantagens em ser um associado!

 

 

  1. Motivação

O mundo do trabalho encontra-se em profunda transformação, a vários títulos, com objetivos bem determinados e alterações significativas nos valores que são adotados pelas Instituições empregadoras.

Tradicionalmente, tem-se atribuído grande importância ao perfil intelectual e à formação académica, a esta se associando o prestígio da Escola onde se obteve uma determinada formação. Importante para a obtenção de trabalho/emprego era o Curriculum Vitae com referência às escolas de renome nacional e/ou internacional frequentadas, indicação de testes psicométricos com altas percentagens de QI (Quoficiente de Inteligência).

Outra mudança de relevo, do paradigma até agora vigente, verifica-se no facto de em vez de se dar mais importância às características do cargo, ou do trabalho, passou-se a dar mais destaque às especificidades das pessoas que fazem bem o trabalho.

Nesse sentido: «Precisam estar atentos para esta nova realidade os profissionais que actuam em administração de recursos humanos, os gestores de pessoas (gerentes, chefes, supervisores) assim como quem orienta carreiras profissionais e ainda, e de modo especial, os próprios profissionais que cogitam de planejar ou rever suas carreiras.» (RESENDE, 2000:16).

Uma das principais teorias da motivação humana, elaborada por Abraham Maslow, é construída na lei das necessidades, cujo percurso se pode indicar a partir das indispensabilidades ou carências, ações, objetivo/satisfação das necessidades. As pessoas procuram, sempre que podem, satisfizer uma ou mais das carências fisiológicas, segurança, sociais, estima ou afeto e realização. Pelo atendimento às necessidades, as pessoas procuram conforto, manifestação dos seus anseios e sentimentos, progredir na vida, prosperidade, poder, sabedoria, paz e felicidade.

 

  1. Competências e Carreiras

Quaisquer que sejam as atividades profissionais, as disciplinas que as estruturam, os meios que se utilizam e as técnicas implementadas, o objetivo fundamental é atingir-se um resultado, expresso numa quantidade, com qualidade e num contexto de crescente competitividade. Hoje, tanto ou mais do que academismos, teorizações, ilustração, exige-se uma valência que vem aumentando de importância e se torna indispensável às organizações públicas e privadas, independentemente dos objetivos e das áreas de intervenção e atividade desenvolvidas: COMPETÊNCIA.

A necessidade, determinação, imposição ou urgência de se alcançarem objetivos: materiais, morais, políticos, religiosos, éticos e quaisquer outros, em todas as atividades, sugerem uma atitude cada vez mais pragmática, no sentido de se ser prático, concreto, determinado.

O avanço da ciência, da tecnologia e da globalização, que em muitos setores profissionais e no domínio da economia, já se verificam, impõe comportamentos de rigor, de produtividade, de concorrência, de flexibilidade, de mobilidade, e, mais recentemente, de “flexisegurança”. Para vencer este surto desenvolvimentista, pessoas, organizações e sistemas têm de ser competentes.

COMPETÊNCIA: São vários os conceitos de competência como por exemplo: «Capacidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa»; «Atributos pessoais que distinguem pessoas de altas performances de outras, num mesmo trabalho»; «Pessoas competentes são aquelas que obtêm resultados no trabalho, nos empreendimentos, utilizando conhecimentos e habilidades adequados». Em síntese, pode-se aceitar uma conceptualização mais alargada e enriquecedora: «Competência é a transformação de conhecimentos, aptidões, habilidades, interesse, vontade, etc., em resultados práticos. Ter conhecimentos e experiência e não saber aplicá-los em favor de um objectivo, de uma necessidade, de um compromisso, significa não ser competente, no sentido aqui destacado.» (RESENDE, 2000: 30-31-32)

Na mudança de paradigmas em curso, verifica-se que o que ontem era verdade absoluta ou até dogmática, hoje pode não o ser, pelo menos com tanta certeza, ou convicção inabalável, em relação a algumas delas. Tem-se notado profundas e universais mudanças de paradigmas, em todos os domínios, da atividade humana e organizacional: a) fusão de empresas, antes rivais; b) unificação de países em grandes blocos económico-políticos; c) convivência de ideologias económicas opostas: socialismo-capitalismo; d) evolução do amadorismo para o profissionalismo; e) mudanças nas características e relações de trabalho.

Justifica-se, agora, a valorização da competência que terá profunda influência nos destinos das organizações, nas carreiras das pessoas e, neste contexto, o conceito paradigmático de competência assume uma nova dimensão e significado: “a) a competência será mais prestigiada do que a erudição; b) a competência será o atributo mais importante das pessoas; c) as referências mais importantes para a remuneração ou promoção das pessoas nas organizações não serão mais tempo de casa (antiguidade) ou escolaridade, mas sim competências e habilidades; d) as expressões: competência emocional, competência espiritual e competência de cidadania, por exemplo, são novas formas de ver e conceituar estas maneiras de ser, manifestar e agir das pessoas, em quaisquer situações da vida em sociedade: na família, na escola, na Igreja, no trabalho, no lazer.

 Evidentemente que a formação teórico-académica, ao mais alto nível, não pode ser descurada, bem pelo contrário, as habilitações académicas, a investigação e as tecnologias, são imprescindíveis para melhor se estruturarem e aplicarem racional e eficazmente os conhecimentos, ajudar a criatividade e a inovação e rentabilizar os recursos disponíveis, respetivamente. O que se pretende transmitir é a ideia de que, de ora em diante, ninguém pode viver o resto da vida rodeado pela auréola de um diploma, de um qualquer curso superior, sem se manter em permanente formação científica e técnica.

 

  1. Âncoras de Carreira

Entre diversas aspirações das pessoas, uma delas é dispor de oportunidades para crescer, desenvolver suas carreiras profissionais e por isso, de um modo muito especial, as pessoas querem saber como e o que precisam fazer, para evoluir em suas carreiras.

Por outro lado, também se conhece que as organizações que têm feito um pouco mais e melhor em favor do planeamento e administração de carreira são as empresas mais evoluídas em gestão de recursos humanos, ainda que fiquem bastante aquém do que seria desejável, principalmente, porque: a) Teme-se as consequências salariais das carreiras; b) Políticas e critérios frágeis de promoção de pessoal; c) Excesso de paternalismo gerencial; d) Falta de instrumentos mais precisos para avaliação do potencial (competências e habilidades); e) Despreparo dos profissionais da área de Recursos Humanos nessa matéria. (a que se poderia juntar fatores de apadrinhamento)

Atualmente as pessoas passam entre oito a dez horas diárias no trabalho e, por essa razão, precisam se empenhar na busca da satisfação através das suas atividades profissionais. Indivíduos, profissionais e empresas precisam desenvolver condições e recursos para saberem identificar e ajustar suas competências às das atividades que desenvolvem, e assim garantirem o sucesso dos seus objetivos de vida e negócio.

Uma boa referência, para orientar as pessoas a compatibilizarem os seus interesses e características pessoais às atividades profissionais e empreendimentos é a teoria de “Âncoras de Carreira”, acreditando-se que a maioria das pessoas se poderá enquadrar numa delas, e que, na medida do desenvolvimento do seu autoconceito ou autoconhecimento, elas poderão harmonizar melhor os seus talentos, motivos e valores. Consideram-se por isso as seguintes Âncoras de Carreira: 1. Segurança e estabilidade; 2. Autonomia e Independência; 3. Criatividade e capacidade empreendedora; 4. Competência técnica e profissional; 5. Aptidão ou habilidade administrativa.

Cada vez mais as novas organizações de trabalho nas empresas estão requerendo que as pessoas sejam multifuncionais ou polivalentes, que exerçam atividades com uma dimensão mais abrangente e com associação a diferentes especialidades: «O ser humano tem inato o potencial de ser versátil e adaptativo. Com treino e prática, não haverá dificuldade para ser multifuncional. Ainda que se possam estabelecer diferentes graus de polivalência. (…) Porém, mesmo sendo multi-especialistas ou multifuncionais, sempre haverá uma âncora principal que deve ser considerada para que as pessoas se realizem melhor e se satisfaçam mais no trabalho.» (RESENDE, 2000:118).

 

  1. Estratégias de auto-conhecimento e de promoção da auto-estima.

«Tomar consciência de si mesmo é o processo mais importante que acontece na vida de uma pessoa.» (ALPORT, in ESTANQUEIRO, 1999:15). «Uma pessoa que se conhece poderá, mais facilmente, superar os seus pontos fracos e desenvolver os seus pontos fortes. Desta forma, dará um passo decisivo na construção da auto-estima e da autoconfiança, atitudes facilitadoras da comunicação interpessoal. Para o conhecimento de si próprio, existem três métodos complementares: a) a auto-análise; b) as opiniões alheias; c) os testes psicológicos. (…) Um processo de autoconhecimento é, portanto, comparar-se com os outros, embora haja perigo nas comparações excessivas, sobretudo quando temos tendência a comparar as nossas limitações com os talentos dos outros. (…) Aqueles que desejam conhecer-se melhor têm de aproveitar todas as opiniões, favoráveis ou desfavoráveis. Aprendemos com os amigos simpáticos, mas também com os inimigos. Por vezes, podemos até aprender mais com os inimigos, porque eles são sinceros e têm a coragem de nos dizer na cara, verdades que mais ninguém nos diz, e que nós próprios não admitimos. (…). Os testes são técnicas que permitem estudar, com rigor aproximado, determinadas capacidades de um indivíduo. Uns medem o nível intelectual. Outros revelam aptidões concretas. (…) A complexidade humana, mistura original de características inatas e de características adquiridas, ultrapassa todos os testes e todos os especialistas.» (ESTANQUEIRO, 1999:15-18).

Independentemente do conceito de felicidade, mas aceitando que, entre outros conceitos, se poderá considerar como uma situação de bem-estar consigo e com os outros, então: «Para ser feliz, uma pessoa tem de aprender a viver com os outros. Mas tem de aprender igualmente a viver consigo mesma, porque é a sua única companhia de todos os dias e de todas as horas. Qualquer pessoa pode renunciar a algumas amizades, mas ninguém pode dispensar a companhia de si próprio. Viver bem consigo significa aceitar-se e manifestar apreço por si, isto é, ter amor-próprio, apesar de todas as limitações pessoais.

A auto-estima, desde que seja equilibrada, não afasta as pessoas umas das outras. Pelo contrário. Quem gosta de si cultiva relações humanas mais positivas, pois não vive dependente da aprovação dos outros nem receia as suas críticas. Quem gosta de si está mais disponível para gostar dos outros. Esta atitude implica desde já uma outra que lhe é correlativa: a auto-aceitação, que se define como a capacidade de abraçar tudo o que há em nós. É a disponibilidade para assumir não só as capacidades que apreciamos, mas também as limitações que preferíamos não ter. Sem complexos. (…) Uma pessoa com auto-estima é tolerante para consigo, como procura ser tolerante em relação aos seus melhores amigos. Assume as suas limitações, sem perder o sentido de humor nem o respeito por si própria.

Fruto da educação, muitas pessoas ainda levam demasiado a sério as suas limitações físicas, psicológicas ou intelectuais. Apesar de possuírem qualidades, deixam-se assaltar e dominar pelo sentimento de vergonha. Menosprezam-se. Castigam-se. (…). Aceitar-se e respeitar-se é um processo eficaz de cooperar consigo mesmo. É dar a si próprio forças e gosto para ultrapassar dificuldades e desenvolver os talentos pessoais. Quem não coopera consigo não chega a lado nenhum. A auto-aceitação tem efeitos positivos no desenvolvimento pessoal e nas relações interpessoais. Quando uma pessoa se aceita como é, tem mais tendência a aceitar os outros como são e a viver em harmonia com eles.” (Ibid.:21-23).

O corolário do autoconhecimento, da auto-estima e da auto-aceitação pode colocar-se ao mais alto nível da autoconfiança que consiste numa «(…) atitude que exerce influência positiva no desenvolvimento pessoal e na relação com os outros. Pode mesmo afirmar-se que o grau de sucesso de uma pessoa é proporcional à forma com que acredita em si própria e nas suas capacidades. Quem acredita em si, sem complexos, consegue ser quase tudo o que deseja ser. Mais. Consegue ter quase tudo o que deseja ter. Todas as pessoas ganham em adquirir ou reforçar a autoconfiança. Para isso, existem três processos complementares: a) Preparação adequada; b) Pensamento positivo sobre si mesmo; c) Adopção de uma postura de segurança.” (Ibid.:31).

 

  1. O Processo de Autodesenvolvimento

As pessoas que pretendem obter e manter um emprego, melhorar o desempenho e evoluir na carreira e assim melhor se realizarem na vida, devem cuidar do seu autodesenvolvimento, como se de um imperativo se tratasse, ao longo da vida.

Pode-se caracterizar o autodesenvolvimento como uma preocupação permanente no sentido da pessoa cuidar da sua evolução educacional, cultural, técnica e atitudinal, por conta própria, uma vez que os governos, as entidades públicas e as empresas não podem fornecer tudo o que as pessoas precisam para o seu autodesenvolvimento.

Trata-se de uma necessidade indispensável, pelas seguintes razões: a) Aumento da competitividade no mundo do trabalho e dos negócios; b) Mudanças continuadas e rápidas dos conhecimentos e das tecnologias; c) Necessidade ou conveniência de aumentar as condições de empregabilidade e de evolução na carreira; d) Contribui para aumentar a auto-estima e autoconfiança; e) Nenhum empregador pode oferecer todos os treinamentos e desenvolvimentos que as pessoas precisam ter.

O Processo de autodesenvolvimento constitui, afinal, a busca e a fixação das estratégias, conhecimentos e metodologias a seguir pelo próprio trabalhador, o qual organizará todo o estudo de acordo com as suas necessidades, face às exigências da Instituição em que está empregado, ou tenciona empregar-se.

O processo comporta algumas fases que se indicam a seguir: 1. Fazer uma auto-análise para definir, mais claramente, seus interesses de aprendizagem e evolução, tendo em conta o seu nível de atualização profissional, da necessidade de aquisição de novos conhecimentos e habilidades; 2. Para ajudar no autodiagnóstico é preciso determinar o grau de insatisfação em termos de desenvolvimento pessoal; 3. Definir um roteiro e/ou um método adequado para o autodesenvolvimento, estabelecendo objetivos claros e atingíveis, constantes do plano pessoal, sobre o qual deve haver um controle da evolução; 4. Não ficar apenas na intenção, mas partir firmemente para a ação, empreender, correr riscos, se necessário, visando alcançar os objetivos; 5. Compartilhar os objetivos com outros e selecionar pessoas que possam ajudar, buscando, alternada ou paralelamente, apoio ou suporte para ajudar a alcançar os objetivos; 6. Ser perseverante no processo de aprendizagem, considerando-se importante recarregar a bateria da automotivação; 7. Avaliar, continuamente, os resultados do processo de aprendizagem, verificando os avanços e os fracassos.

O autodesenvolvimento é, portanto, um processo contínuo na vida, porque além de necessário, pelas muitas razões já enunciadas, deve ser visto, também, como uma forma de tornar a vida mais interessante.

Com esse objetivo sugerem-se algumas boas-práticas, nomeadamente: a) Identificar, priorizar e planear os conhecimentos que são necessários adquirir ou reciclar, e que competências e habilidades se precisa desenvolver; b) Reservar algumas horas do tempo livre, para ler um bom livro relacionado com a área de interesse; c) Trocar parte das horas gastas a ouvir música, vendo televisão, ou outras atividades de lazer, para aplicação em algum tipo de estudo ou aprendizagem, transformando os momentos de autodesenvolvimento em prazer; d) Formar e manter grupo de conversas ou debates periódicos, com parentes, colegas ou amigos, para tratar de assuntos de cultura geral, úteis para a vida, nomeadamente: arte, ética, politica, economia, saúde, cidadania; e) Ampliar os conhecimentos ligados às atividades desenvolvidas, tornando-se polivalente ou policompetente; f) Reciclar, constantemente, os conhecimentos relativos à profissão principal; g) Desenvolver habilidades de relacionamento interpessoal e aplicar valores, princípios éticos, senso de responsabilidade, coerência, lealdade, sinceridade, honestidade; h) Participar em cursos, palestras, seminários e eventos temáticos, na área dos interesses próprios.

Como competências importantes para o Autodesenvolvimento, podem destacar-se as seguintes: 1. Capacidade de estudar; 2. Capacidade de descobrir fontes de informação e de conhecimento; 3. Ter curiosidade; 4. Ter persistência; 5. Saber administrar o tempo; 6. Ser automotivado. Finalmente, referem-se as características das pessoas que as empresas querem ter como empregados: a) Ser responsável por sua vida pessoal; b) Demonstrar que pode adicionar valores; c) Ter um impacto positivo na empresa, com colegas e amigos; d) Saber e querer abraçar e iniciar mudanças; e) Trabalhar com inteligência, empenho, agilidade e sentido de melhoria; f) Comunicar-se aberta e diretamente; g) Buscar oportunidades de liderança; h) Comprometer-se com o autodesenvolvimento ao longo da vida.

 

Bibliografia

 

ESTANQUEIRO, António, (1999). Saber Lidar com as Pessoas. Princípios da Comunicação Interpessoal. 7ª Edição. Lisboa: Editorial Presença

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

 

Venade/Caminha/Portugal, 2019

 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

 

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

 

Blog Pessoal: http://diamantinobartolo.blogspot.com

Facebook: https://www.facebook.com/diamantino.bartolo.1

https://www.facebook.com/ermezindabartolo

Exibições: 7

Comentar

Você precisa ser um membro de Associação Internacional de Escritores e Artistas para adicionar comentários!

Entrar em Associação Internacional de Escritores e Artistas

© 2019   Criado por Izabelle Valladares.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço