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Um Poema do livro "Os objectos inquietantes"

O PÉ

Em todos os lugares, é

sempre pé: pé de mundo

pé de mando, pé de mar. Sem par

é pé de coxo. Pé

parado. Morto em pé.

Por vezes

os pés desaparecem

durante anos: esconderam-nos

em claustros, chaminés, prisões.

 

O pé no fundo

é estranho: de noite

parece um ser solar. Um pé

sem perna já foi mais frequente do que pensam.

Um pé de casa é uma vírgula posta

entre o campo e as estrelas. Um pé arabesco

é um pé a cavalo. E um pé que se preza

ama a liberdade. De contrário é pé chato

pé de planeta aziago.

Um pé sem suor é pé desafinado.

Lagosta, pé carregado.

O pé costuma ver (o pé tem sorte)

o começo da vida, ou o fim do corpo:

ir de pés para a frente

fazendo finca-pé

à própria morte.

 

O pé de flor vive em todo o lado.

Planta de pé é um silêncio vegetal.

Pé de cabra é bom na magia oculta.

O pé de cão tem horror aos polícias.

O pé de amor é um bicho esquisito: mede

os outros pelo seu tamanho – pé universal

 

Pé ou mão? Doce animal

dentro do coração.

 

                                                             (de Os objectos inquietantes)

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